Pesquisadora e integrante da comissão organizadora, Mayra Coimbra explica o que é a “pós-verdade”

Na contagem regressiva para a realização do I Congresso de Comunicação do Campo das Vertentes, a Comissão de Apoio e Divulgação publica uma entrevista com a pesquisadora e integrante da comissão organizadora, Mayra Regina Coimbra.

Doutoranda em Comunicação na Universidade Federal de Juiz de Fora, Mayra faz parte da Comissão Científica e é coordenadora do GT Comunicação, Pós-Verdade e Pandemia: grupo temático previsto para ocorrer durante o evento.

Em entrevista ela explica, entre outras questões, o que é a pós-verdade.

Confira!

– Uma das atividades previstas na programação são as apresentações de trabalhos em GTs. Como funciona a submissão? É preciso que o trabalho seja dentro do tema “Mídia e disputas de narrativa em tempos de pandemia” ou só dentro dos temas dos GTs?

Mayra: Estudantes de graduação e pós-graduação, docentes e profissionais da área podem enviar seus artigos científicos a um dos sete Grupos Temáticos (GTs). Os trabalhos poderão já estar feitos ou se você deseja participar e não tem nenhum trabalho pronto, pode encaminhar um resumo expandido com as ideias do que pretende discutir – com envio completo feito posteriormente, até 20 de agosto de 2021.

O trabalho não precisa necessariamente discutir o tema do evento. A escolha do tema é para nortear o evento como um todo – as palestras e mesas -, mas as pessoas têm a possibilidade de enviarem discussões que já fazem.

Por isso criamos sete grupos de trabalhos, onde conseguimos abarcar mais áreas da comunicação como: discussão de minorias, políticas públicas, campanhas eleitorais, comunicação de governo, estratégias comunicacionais, imagem pública, redes sociais e suas implicações, história do jornalismo, além dos estudos que dialogam com a comunicação de uma forma mais geral.

Ou seja, o evento abrange diferentes temáticas, pois acreditamos e queremos que o evento seja uma jornada coletiva de debates e reflexões.

– O que é a “pós-verdade”, citada no seu GT, e como ela se encaixa na comunicação na pandemia?

Mayra: A pandemia da Covid-19 acionou a circulação de inúmeras notícias falsas. Inúmeras teorias da conspiração e campanhas de desinformação ganharam força no espaço digital. Entre as desinformações que circularam e ainda hoje perpassa o cenário informacional estão: a profilaxia e a cura do coronavírus, a xenofobia, as teorias de que o vírus foi criado em laboratório e recentemente o processo de imunização também ganhou destaque. Os relatos vão do medo da implantação de um chip no cérebro até a falsa possibilidade de contrair câncer ou HIV. 

A pós-verdade não é uma especificidade brasileira, mas um fenômeno global.

É um movimento que ocorre em função da crise que o sistema democrático vem passando, principalmente diante da descrença populacional no sistema representativo e na própria imprensa.

É nesse cenário que a pós-verdade entra. Ela descreve a situação na qual os fatos objetivos têm menos influência que os apelos às emoções e às crenças pessoais. Ou seja, há uma popularização das crenças falsas e uma facilidade para fazer com que os boatos prosperem.

Em tempos de pandemia, onde a circulação de notícias falsas é intensa, é preciso discutir as implicações da desinformação em um cenário onde as crenças pessoais e as convicções valem mais do que a própria verdade. 

– Parafraseando o tema do evento, para você, “em tempos de pandemia”, por que é importante debater e refletir sobre “a mídia” e “as disputas de narrativa”?

Mayra: Diferentemente do que aconteceu em outras pandemias, nesta, não houve um isolamento informacional.

Hoje, há inúmeros canais de informação e comunicação que funcionam de modo a garantir que notícias e mensagens circulem o tempo todo e que os indivíduos recebam instantaneamente informações sobre o que está acontecendo ao seu lado e no mundo inteiro.

No entanto, é importante destacar que a pandemia evoluiu na mesma proporção que a disseminação de notícias falsas. E é nossa tarefa, enquanto pesquisador, compreender essa disputa de narrativas, do que está acontecendo e de como a mídia, enquanto órgão informativo, pode contribuir para dotar a população de conhecimento, para que elas possam agir.

Por que é importante de participar desse tipo de evento, que une apresentações de trabalhos, palestras e oficinas?

Mayra: É uma forma de socializar o saber com a comunidade. Trazer as discussões e os trabalhos que exercemos dentro da academia para fora das fronteiras universitárias.

É uma forma de dar um retorno pra sociedade. E também de dividir o conhecimento, ampliar os debates e compartilhar reflexões. 

O que o público pode esperar do evento?

Mayra: As pessoas podem esperar uma jornada coletiva de debates e reflexões, com discussões de temas atuais e extremamente caros e importantes de serem debatidos na sociedade.

Será um espaço de interlocução, de troca de conhecimentos e de aprendizado, além de ser uma forma de socializar o saber com a comunidade.


Texto: Arthur Raposo Gomes

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